No salto, porém culta. #3: O caçador de pipas.

20 ago

Uma amizade frágil entre dois jovens afegãos, repleta de altos e baixos, é como o movimento das pipas no ar. Uma amizade que se torna tão dramática quanto o Afeganistão, palco da história que se inicia na década de 70, durante a monarquia daquele país, passa pela invasão soviética nos anos seguintes e termina no terror do regime Talibã.

Amir é um jovem privilegiado: pertence à etnia dominante do país (pashtu), freqüenta a escola, mora em uma bela casa e seu pai é um rico homem de negócios e figura conhecida de Cabul. É órfão de mãe e um jovem relativamente frágil. Hassan é o oposto, talvez até um outro eu de Amir. A única semelhança com o amigo é a ausência da presença materna em sua vida. É analfabeto e, assim como o seu pai, é serviçal na casa de Amir. Faz parte da minoria hazara, etnia menos abastada, geralmente discriminada e odiada no Afeganistão. Hassan é corajoso, companheiro e protetor do solitário Amir, que luta pela atenção do pai. Há um laço de amizade não apenas entre os garotos, mas também entre seus pais. O pai de Amir trata todos como sendo da mesma família. Hassan é eternamente fiel ao amigo, sentimento que em alguns momentos faz despertar revolta em Amir. Dentre várias brincadeiras e idas ao cinema com direito à coca-cola quente, o maior passatempo dos dois é a leitura. Amir fascina Hassan ao ler contos populares para o amigo analfabeto. A ingenuidade de Hassan e o seu analfabetismo irritam Amir, às vezes. Um dia, Amir descobre uma forma de caçoar o amigo. Decide deixar de ler uma história e começa a inventar um novo final para a mesma, com as palavras que viessem de sua mente. Hassan não nota a diferença, como havia previsto Amir, e aprova a história inventada pelo amigo. Isso definiria a vida de Amir. As pipas são o passatempo de inverno predileto dos jovens. Anualmente, um campeonato de pipas agita Cabul. Amir sonha em ganhar o campeonato para provar seu valor ao pai. Antes da competição, Amir parece desistir. Porém, mais uma vez, Hassan está ao seu lado e o ajuda a vencer o medo. Após a competição, acontece algo que muda a vida de Amir. Hassan é brutalmente violentado por três jovens. Amir presencia tudo, mas nada faz para ajudar o amigo. Decide não contar aquilo para ninguém. Mesmo após migrar com o pai para os Estados Unidos, durante a invasão soviética, o fantasma daquele dia ainda o atormenta. Amir se torna escritor, vive um feliz casamento, mas não consegue esquecer sua falha com Hassan. Um dia, ele recebe um telefonema de um amigo que morava no Paquistão e finalmente tem a chance de reparar o erro do passado. Amir volta a sua terra natal e enfrenta uma realidade cruel.

Oi pessoas. Esse foi um dos livros mais interessantes que eu já li. Primeiro eu assisti o filme e gostei tanto que resolvi ler o livro também, afinal os dois sempre são um pouco diferentes. É um romance reflexivo e até mesmo comovente. O autor impõe um ritmo agradável à narrativa e a leitura chega a ser bem prazerosa. Mas isso não se mantêm durante toda a história. Principalmente nos capítulos finais, quando é mostrado um Afeganistão destruído por guerras, temos a mesma sensação que tem Amir, o narrador, quando volta à sua pátria após muitos anos longe de casa, parece que estamos entrando em um outro mundo. O caçador de pipas consegue manter a narrativa bem próxima à realidade. Trata de amizade e de família, trata de redenção e de perdão, os verdadeiros inimigos são o “conflito social”, a intolerância vai desde o bullying infanto-juvenil aos conflitos étnicos, ideológicos e religiosos que não só marcaram a guerra fria, mas que estão, infelizmente, ainda presentes até os dias atuais e o “conflito interior”, presente no atormentado personagem de Amir Jan e sua jornada de auto-libertação. Gosto muito da frase “Por você faria mil vezes.”, pois esta expressão não só mostra a amizade, mas também uma entrega de si mesmo sem querer nada em troca, as pipas, imagem central do romance representam a liberdade, o amor incondicional capaz de elevar-se até o céu, livre, leve, acima de todas as diferenças e que pode ser perdoado.

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14 Respostas to “No salto, porém culta. #3: O caçador de pipas.”

  1. Samara Correia 20/08/2010 às 21:45 #

    Ameiii esse livro, tenho ele aqui em casa… e já li mais de uma vez. Uma história bem contada e emocionante.
    Aihh cheguei a chorar, o livro é bonito, mas sem deixar de mostrar as tragédias.

    Eu fiz questão de assistir o filme no cinema, é calro que nem se compara ao livro, mas achei um bom filme!!

    bjus

    ótima dica ;D

  2. causingscenes 20/08/2010 às 22:50 #

    Nossa, estava precisando de um livro para ler.
    Adorei a dica, inclusive já ia passar em uma livraria, vou procurar esse, até porque sou apaixonada por leituras prazerosas. (:

    Gabriela. xxx

  3. hotticket 20/08/2010 às 23:19 #

    Nossa, é um dos livros mais tristes que já li, mas muito bonito! Boa dica! Bjos e bom findi!

  4. Betty Gaeta 21/08/2010 às 7:38 #

    Li o livro e chorei, chorei, chorei… Assisti ao filme e chorei, chorei, chorei (só que um pouquinho menos).
    Bjkas e um ótimo sábado para vc.

  5. vivireis 21/08/2010 às 7:39 #

    Olá, guria!
    Também adorei o livro. Gosto de ler sobre coisas que poderiam ou que já aconteceram. E essa história é bem o reflexo disso. Meu filho de 11 anos está lendo ele agora e ficou até emocionado. É uma ótima dica de leitura, e sua resenha está nota 10!
    Um abraço!!

  6. Marcela Thiemi 21/08/2010 às 9:09 #

    É um filme lindo demais! Mas não li o livro não..
    Mto boa a dica!

    bjo

  7. Cris Lima 21/08/2010 às 11:09 #

    Eu já li tbm. E amei!
    Super recomendo!

  8. Dia de Brilho 21/08/2010 às 13:00 #

    Eu estava pensando neste livro ontem, eu tb adorei ler ele, eu chorei com tanto sofrimento q a menina passa. Realmente é um livro maravilhoso q td mundo deve ler!
    Obrigada pela visita no blog, vim retribuir o carinho! ;)
    bj Wanessa

  9. Dia de Brilho 21/08/2010 às 13:02 #

    Vou seguir o subindonosalto no twitter :D siga @Diadebrilho
    bj Wan

  10. Carla Sant'Anna 21/08/2010 às 15:33 #

    Esse livro é lindoo!!! Mas acredita que nunca vi o filme? rs

    Beijinhos

  11. Luma Barreto 21/08/2010 às 22:12 #

    É um ótimo livro mesmo, ótima indicação! ;)
    Prefiro os suspenses sobrenaturais, mas com certeza é uma boa dica!
    beijos

  12. Camila 21/08/2010 às 22:25 #

    Você acredita que eu tenho esse livro aqui e nunca tive paciencia pra ler? hahaha preguiçaaaaa, qualquer dia eu o pego para ler. Mas valeu a dica (;

    @retreschic

  13. Natalia Barnabá 22/08/2010 às 0:39 #

    Esse livro é realmente lindo! Um dos melhores que já liii!
    Beijos

  14. kammy 22/08/2010 às 15:13 #

    Ai esse livro eh lindo!
    Adorei o filme tb.. eh uma historia triste… chorei mto.., mas vale a pena ver :)
    mil beijinhos
    kammy

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